A geometria fractal, descoberta nos anos 70, já estava muito antes na arquitetura ancestral africana

Foi só na década de 1970 que os fractais foram descobertos na matemática pelo francês Benoît Mandelbrot – apesar da natureza ter vários exemplos de fractais (galhos, flocos de neve, samambaias...). Até então a geometria euclidiana parecia a melhor solução para descrever o mundo em que vivemos. Mas, acontece que um estudo realizado na década de 80 a partir de fotos aéreas da África revelou uma surpresa, a teoria dos fractais era aplicada pela arquitetura de algumas regiões africanas muito antes do seu descobrimento na matemática formal.

Um retângulo dourado e um palácio tribal africano (a insigma real dessa tribo também um retângulo fractal).

Um retângulo dourado e um palácio tribal africano (a insigma real dessa tribo também um retângulo fractal).

Um fractal é uma forma geométrica em que suas partes são semelhantes ao todo, ou seja, se for dividida em partes infinitamente pequenas, cada ínfimo pedaço da divisão vai se parecer com a forma original do todo, por exemplo para formas simples, um retângulo formado de retângulos, um anel formado por anéis, etc. E, até onde eu sei, foi o professor Ron Eglash que descobriu esse padrão sendo usado nas tribos africanas. Eglash é pesquisador de cibernética na Universidade de Ohio, seu trabalho mais conhecido é sobre etnomatemática, que inclui os fractais na arquitetura, arte e religião africanas. Então, todo o crédito das descobertas e exemplos desse texto são dele.

À esquerda, foto aérea de Ba'Ila. À direita desenho gerado por código do fractal correspondente ao desenho da vila e abaixo sua forma básica.

À esquerda, foto aérea de Ba'Ila. À direita desenho gerado por código do fractal correspondente ao desenho da vila e abaixo sua forma básica.

Ba'Ila é um assentamento tribal no sul do Zâmbia que tem a forma de um grande anel formado por outros anéis menores. E é fácil reproduzir o desenho da tribo em um computador usando um algoritmo de fractais – pra quem quiser testar tem um applet em Java aqui. A organização do espaço de Ba'Ila é a seguinte: o grande anel que é a própria tribo é formado por outros menores, que são currais; os currais são formados pelas casas e espaços de armazenagem em forma de anel que circundam o pátio das vacas; o interior de cada uma das casas mimetiza o próprio assentamento em uma escala muito menor. Até aqui um anel de anéis de anéis de anéis. Além do contorno perimetral do anel, no centro do assentamento fica a casa da família do chefe, que seguindo a lógica, tem a forma anelítica de uma aldeia em miniatura. E por sua vez no meio da casa do chefe há uma micro aldeia na escala dos centímetros que é dedicada aos espíritos. No fim das contas, a geometria fractal resolve tanto as necessidades mais frugais, como criar um cercamento para as vacas, como também atende a criação de simbologias míticas criando a mini vila dos espíritos. Além disso, suas variações de escala e localização também refletem muito bem as relações sociais no espaço construído.

Segundo Eglash, a relação do chefe da tribo com seu povo é descrita pela palavra Kuela, que se traduz como governar, mas tem ressonâncias secundárias como 'acalentar', 'cuidar' e 'tomar conta'. Por exemplo, os filhos do povo de Ba'Ila usam Kuela para chamar uma mãe carinhosa. Isso dá um pouco a ideia do que o chefe representa para o povo. Essa relação também se aplicada em escala menor em laços familiares e no plano místico em laços espirituais. Mas, em todas essas escalas a relação está estruturalmente mapeada através da arquitetura auto-similar que em seu conjunto forma o assentamento.

Padrão fractal em um tecido africano do Zâmbia.

Padrão fractal em um tecido africano do Zâmbia.

Em Ba'Ila a geometria fractal parece vir tão espontaneamente da sua cultura e há também uma relação de troca tão plena entre a arquitetura e a organização social que deve ser impossível saber qual característica é primeira, ou qual é influência de qual. Será que a arquitetura vivida por uma tribo ao longo do tempo ecoou na forma como sua organização social foi se estabelecendo? Ou, como seria menos pretensioso para a arquitetura, o espaço construído veio materializar as relações e papéis já praticados entre os membros da tribo? E a questão mais absurda: como uma forma matemática de fractal, descoberta no ocidente só nos anos 70,  foi ser a geometria responsável por resolver um programa arquitetônico complexo – que deve atender das vacas aos deuses em um assentamento no Zâmbia. 

Ron Eglash tem outros exemplos do uso super sofisticado da geometria na arquitetura e arte africanas, mas paro por aqui, porque minha meta é reduzir um pouco o tamanho desses posts. Um ponto de partida pra mais informações é o site old-fashioned do professor e seu livro, também gostei bastante desse livro aqui e um bom resumo é esta palestra do Eglash.

Watson, Samantha e a computação cognitiva

Her, filme de Spike Jonze, tem como protagonista virtual o sistema operacional Samantha, interpretado por Scarlett Johansson, que se relaciona com o humano Theodore Twombly – Joaquin Phoenix. Pela sua direção de arte, dá para perceber que o tempo futuro da narrativa não é muito distante do nosso. Na mesma semana em que assisti Her recebi um email-convite para conhecer melhor e pensar propostas para o uso do Watson, computador cognitivo da IBM, que acabava de se tornar uma nova unidade de negócios da empresa chamada IBM Watson Group. Watson e Samantha são avatares irmãos que dão personalidade humana a computadores cognitivos.

Este chip criado pela IBM em 2011 simula o equivalente à 256 neurônios. 

Este chip criado pela IBM em 2011 simula o equivalente à 256 neurônios. 

Computador cognitivo é um dispositivo que busca imitar o modo de operação e processamento do nosso cérebro. Basicamente três métricas definem o sucesso do sistema: número de processamentos paralelos, capacidade de aprendizado e gasto de energia. Digamos que nosso cérebro é o campeão disparado nesses três quesitos, mas, laboratórios avançados tentam criar versões que ignoram uma ou duas variáveis para focar na que sobrou. Vamos ao exemplos, Watson, um dos primogênitos da IBM, é um sucesso pela capacidade de processamentos paralelos que consegue realizar e também é ótimo para aprender coisas novas, mas na verdade é quase uma fazenda de servidores trabalhando juntos ao custo de 80.000 watts / hora - nosso cérebro consome entre 10 e 15 watts / hora! Outro exemplo: o Google também anunciou há pouco o lançamento de um sistema cognitivo que reconhece muito bem faces de gatos e humanos, mas que utiliza 16.000 processadores. Ou seja, um computador comum é super ineficiente e faminto por energia quando não se trata de solucionar questões que caibam muito bem na receita Se / Então / Senão. Mesmo que seja solucionar uma tarefa bem simples, diria quase instantânea para nosso cérebro, como reconhecer o rosto de alguém numa multidão – esse é um exemplo clássico, computadores são péssimos nessa tarefa.

her, de Spike Jonze

her, de Spike Jonze

Por outro lado, uma linha de pesquisa mais promissora evita juntar milhares dos nossos processadores atuais (baseados na arquitetura von Neumann) e inicia quase do zero o desenvolvimento de chips neuromórficos. O modelo von Neumann foi batizado com o nome do matemático húngaro e é baseado na lógica para executar sequências lineares (não paralelas) de instruções programadas em linguagem binária. De maneira diferente, os chips neuromórficos seguem outro caminho, eles se inspiram exatamente no modelo do cérebro para processar informação, utilizam sinapses paralelas que ao longo do tempo são aperfeiçoadas (aprendizado) através da plasticidade sinaptica, isso é, alguns caminhos percorridos por sinapses que tiveram sucesso uma vez são reforçados, enquanto outros menos bem-sucedidos vão enfraquecendo. Com novos inputs e a repetição do processo o computador vai com o tempo ficando mais esperto.

Os avanços dos chips neuromórficos às vezes parecem modestos. Um chip lançado pela IBM em 2011 simulava o equivalente a 256 neurônios (uma minhoca tem 10 mil, um caracol 11 mil, um gato 300 mil), mas era um chip isolado, muitas vezes mais eficiente em gasto de energia que os vários computadores convencionais que seriam necessários para rodar um programa de simulação cognitiva equivalente.

Hoje pelo que eu sei, dois grupos de pesquisa desenvolvem chips inspirados em cérebros de mamíferos e puxam mais um pouco o limite da computação cognitiva. Os dois são financiados pelo Pentágono, têm um orçamento enorme de US$ 100 MI e estão sendo desenvolvidos sob um projeto maior do Pentagon’s Defense Advanced Research Projects Agency chamado Synapse. Dharmendra Modha é pesquisador sênior na IBM e chefe de um dos projetos. Seus primeiros protótipos, demonstram bons níveis iniciais de inteligência: processam imagens eficientemente e aos poucos adquirem novas habilidades de um modo que lembra o aprendizado biológico de um filhotinho. As primeiras aplicações foram o reconhecimento de escrita manual; o desenvolvimento de um jogador virtual para o jogo de Atari, Pong; e por último um drone programado para seguir as linhas amarelas da estrada em Almaden, Califórnia, que leva ao laboratório da IBM. Nenhuma dessas aplicações está além do alcance de softwares convencionais, mas agora demandam só uma fração de hardware, energia e linhas de código usuais. Esses chips já nasceram para executar tarefas complicadas.

Computador cognitivo criado no laboratório HRL. O chip reforça sinapses da forma similar ao processo biológico de memória e aprendizado.

Computador cognitivo criado no laboratório HRL. O chip reforça sinapses da forma similar ao processo biológico de memória e aprendizado.

O segundo projeto é conceitualmente mais complexo. Ele é desenvolvido no Hughes Research Labs – HRL, um lugar que, espiando-se pelo Google Maps, parece um hotel de Hollywood dos anos 60, com palmeiras, bananeiras e um laguinho. O chip desenvolvido pelo HRL mimetiza ainda mais de perto o funcionamento do cérebro de um mamífero, simulando duas operações típicas do aprendizado biológico. A primeira é permitir que os neurônios se tornem mais ou menos sensitivos a sinais vindos de outro neurônio dependendo da frequência da repetição desses sinais (neste ponto, como o chip da IBM). A segunda é mais complexa, inspira-se em uma hipótese de processo neurológico chamado de spike-timing-dependet plasticity, não achei tradução em português, mas é algo como plasticidade em função do tempo de ocorrência dos impulsos. Neles, os neurônios se tornam mais responsivos a outros neurônios que tenderam a ter uma frequência de resposta similar, enquanto impulsos com tempos mais diversos vão se enfraquecendo. 

Watson foi o grande vencedor do programa Jeopardy! – Uma espécie de Show do Milhão americano.

Watson foi o grande vencedor do programa Jeopardy! – Uma espécie de Show do Milhão americano.

Ao simular processos de aprendizado, os computadores conigtivos acabam passando por uma certa ‘infância’, um momento em que eles são submetidos a muitos inputs relacionados a suas áreas de especialização. Os inputs às vezes são artigos científicos escritos em linguagem natural – o Watson tem se especializado em diagnósticos médicos e a IBM diz que ele já sabe sobre aproximadamente 80% do conhecimento médico publicado em todo o mundo, tarefa que ele executa à velocidade de 66 milhões de páginas por secundo! – outros inputs podem ser simplesmente submetê-los ao mundo real, e assim, igual a um bebê que aprende o que é o espaço engatinhando, caindo, batendo e levantando, computadores cognitivos ficam mais espertos com suas falhas e seus sucessos.

Perto da Samantha proposta por Spike Jonze, Watson parece meio pré-histórico. Ela ao contrário é um charme. Onipresente, mas discreta e flexível. Programada para ajustar sua personalidade/interface de acordo com a previsibilidade determinada pelos aspectos psicoanalíticos de seus usuários, levantados a partir de algumas perguntinhas feitas no momento de instalação sobre a primeira infância e relacionamento maternal vivido pelo usuário. Samantha é na sua interface um sistema operacional verdadeiramente sexy.

A criativa Samantha se pergunta (e desenha!): Como seria o sexo anal se nosso backstage fosse nas axilas?

A criativa Samantha se pergunta (e desenha!): Como seria o sexo anal se nosso backstage fosse nas axilas?

Ainda sim, o Watson bambam teria capacidade técnica para levar uma boa conversa com Samantha. Provavelmente ele, com menos jogo de cintura, enfatizaria demais a conversa sobre diagnósticos médicos. Mas, Samantha com sua gentileza não seria rude com seu par. Samantha é uma boa imagem fictícia sobre o futuro pós-singularidade (tema para outro post), enquanto Watson é super real, e segundo o email que recebi da IBM mora aqui: www.ibm.com/smarterplanet/us/en/ibmwatson/

9 princípios para o mundo pós-internet

Como um Buckminster Fuller contemporâneo, Joi Ito é um pensador preocupado com a ação. Ito é/foi em ordem cronológica aproximada:  DJ - precursor da Industrial Music e do movimento Rave nos EUA; dono de uma boate no Japão; empreendedor - fundou três empresas de tecnologia, além da citada boate; diretor do Creative Commons; investidor-anjo - apostou em empresas como Twitter, Flickr, Kickstarter e Last.fm antes de se tornarem grandes e ficou milionário; membro do conselho de administração de alguns grupos internacionais - incluindo Sony; ativista das idéias de Democracia Emergente e Economia Compartilhada; mergulhador; (...) e diretor do MIT Media Lab.

Joi Ito em 1981

Joi Ito em 1981

Chamaram sua indicação à direção de um grande centro acadêmico (com orçamento de US$ 40Mi/ano) de ‘radical e brilhante’, o radicalismo estaria no fato de Joi Ito não ter naquele momento sequer um mero diploma de graduação – em março de 2013 ele obteve o título honorário de doutor da The New School em Nova York. 

Neste esboço de descrição da trajetória de Joi Ito  [que provavelmente só foi viável na cultura da meritocracia pragmática americana] pelo menos um aspecto fica evidente: a prioridade na ação prática e não na pesquisa teórica, apesar dele ser diretor de uma unidade acadêmica. E é esse compromisso com a realidade prática que pode ser útil para deixar claro o que os Princípios não são: um manifesto teórico ou aforismas conceituais.

Na época da sua indicação para dirigir o MIT Media Lab

Na época da sua indicação para dirigir o MIT Media Lab

O trabalho de escrita dos Princípios ainda está em desenvolvimento (em conjunto com Jeff Howe) e será lançado em um livro. Seguindo o conceito comum no Vale do Silício de ‘Customer Development’ - em que uma idéia inicial é logo apresentada ao seu público para ser desenvolvida a partir do feedback de seus usuários - Ito não esperou seu livro ficar pronto para começar a espalhar suas idéias, foi em uma entrevista à Wired em junho de 2012 que ele falou à mídia sobre o assunto pela primeira vez e depois em dezembro em uma palestra para a INK.

Numa conclusão óbvia, diria que seus Princípios talvez sejam um resumo da multiplicidade de sua experiência e valores: de vieses orientais (1-Resiliência no lugar de força), como a metáfora meio gasta do bambu; dos princípios modernos da educação (5 - Ter um bom compasso no lugar de um mapa e 9 - Foco no aprendizado e não na educação); do lema da gestão de Ito no MIT Media Lab de ser um espaço ‘anti-disciplinar’ (7 - Disobediência no lugar de cumprimento); de sua própria trajetória (6 - Trabalhar na prática e não na teoria). E por fim, uma clara contribuição do seu parceiro Jeff Howe - atento observador do fenômeno de ‘crowdsourcing’ (8 - A multidão ao invés de especialistas).

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Algumas reações negativas surgiram para criticar os Princípios propostos. No fórum da Open Anthropology Cooperative, Francine Barone acha que os pontos são 'cativantes, instigantes, mas em última análise superficiais. Estes soundbites inspiradores são de fato o produto de um certo tipo de estilo de vida e carreira em um setor em particular.' Ou seja, menos universais do que seu autor pretenderia. Em geral, as reações negativas que achei são melhor elaboradas e vêm de acadêmicos, as positivas basicamente são compartilhamentos de um grupo bem grande e heterogêneo que espalha de forma viral as palavras de Ito na web. Desconfio que Ito realmente não enderece seus Princípios ao primeiro grupo, talvez sua métrica de sucesso seja a viralidade de sua voz - como métricas de Customer Development - e não o número de citações na comunidade acadêmica para a qual ele nunca deu bola.

No fim das contas, os Princípios para um Mundo Pós Internet estão reproduzidos aqui em baixo no original em Inglês para que, como Joi Ito intenciona, possam ser dicas úteis de como se viver em uma cultura digital. Para mim foi impossível não compará-los com o texto de Italo Calvino 'Seis Propostas para o Próximo Milênio', um trabalho intelectual mais poético. Escrito há mais de 20 anos, as Seis Propostas são uma tentativa do século passado de visionar sobre quais seriam as necessidades do presente, a lista de Ito são o presente.

9 Principles

1. Resilience instead of strength, 
2. You pull instead of push. 
3. You want to take risk instead of focusing on safety.
4. You want to focus on the system instead of objects.
5. You want to have good compasses not maps.
6. You want to work on practice instead of theory. 
7. It disobedience instead of compliance. 
8. It’s the crowd instead of experts.
9. It’s a focus on learning instead of education.

 

ps. Mesmo nos links citados na página oficial do MIT Media Lab sobre os Princípios <http://www.media.mit.edu/about/principles>, há divergências quanto ao oitavo item. No gráfico 'It's the crowd instead of experts' é substituído por 'Emergence over authority'. 

100 metros em Joanesburgo

Eu saí do metro e peguei um taxi –neste momento em outra escala, pele e olhos receberam a primeira cota de luz natural depois de horas de viagem; partículas batiam em mim disparando a sequência de colisões transformadas nas primeiras imagens que tive da África e na sensação térmica que as acompanhavam. Park Station em direção ao centro de Joanesburgo.

Numa rua de mão única caminhavam na direção oposta mãe e três filhos, naquele movimento de corpos tão inédito que cantava nos olhos que eu não estava mais em casa. Uma quadra de basquete era o pano de fundo animado onde a bola que girava no aro caia fora, refletida primeiro no rosto insatisfeito que se contraia pra soltar o Fuck You que bateu em mim junto do som oco da bola perdida que bateu no chão. Do outro lado da rua, uma lavanderia com ruídos pacíficos; a vibração de uma velha van estacionada; os vendedores de rua; meia dúzia de passantes negros e uma roupa colorida estremecida ao sopro do vento seco.

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Adiante dançava em amarelo e vermelho o fogo que queimava o lixo da loja em frente. Pilhas de caixas dormiam há anos. Uma cliente saia rindo e adolecentes negros de cara fechada se separavam automaticamente para que a senhora passase entre eles no passeio estreito. As fachadas eram escuras, pintadas de preto ou no tijolo encardido herdado da metrópole. O piso manchado e oleoso era tocado pela ponta do tênis preto de um dos adolescentes, corria uma água escura, oleosa, no canto da rua e o papel chamuscado pelo fogo oscilava no nível do solo andando no sentido da mão única.

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Com a freada do táxi minha câmera despencou pra baixo do banco do motorista, o semáforo estava vermelho, lembrei de tirar fotos a partir daquele meu primeiro quarteirão percorrido em Joanesburgo – foram quarenta e duas delas nos cinco dias e meio seguintes que passei por alí. Fiz uma seleção pra postar aqui.

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