[10/22/2012]
100 metros de Joanesburgo. Eu sai do metro e peguei um taxi – em outra escala, pele e olhos recebiam a primeira cota de luz depois de horas de viagem; partículas batiam em mim disparando a sequência de pequenas colisões agilmente transformadas em imagens e sensação térmica. Park Station em direção ao centro de Joanesburgo.
Numa rua de mão única caminhavam na direção oposta mãe e três filhos, naquele movimento de corpos tão próprio que cantava nos olhos que eu não estava mais em casa. Uma quadra de basquete era o fundo onde a bola que girava no aro caia fora, refletida primeiro no rosto insatisfeito que se contraia pra soltar o Fuck You que bateu em mim junto do som oco da bola perdida que bateu no chão. Do outro lado da rua, uma lavanderia com ruídos pacíficos; a vibração de uma velha van estacionada; os vendedores de rua; meia dúzia de passantes negros e uma roupa colorida estremecida ao sopro do vento seco.
Adiante dançava em amarelo e vermelho o fogo que queimava o lixo da loja em frente. Pilhas de caixas dormiam há anos. Uma cliente saia rindo e adolecentes negros de cara fechada se separavam automaticamente para que a senhora passase entre eles no passeio estreito. As fachadas eram escuras, pintadas de preto ou no tijolo encardido herdado da metrópole distante. O piso manchado e oleoso era tocado pela ponta do tênis preto de um dos adolescentes, corria uma água escura no canto da rua e o papel chamuscado pelo fogo oscilava no nível do solo andando no sentido da mão única.
Com a freada do táxi minha câmera despencou pra baixo do banco do motorista, o semáforo estava vermelho, lembrei de tirar fotos a partir daquele meu primeiro quarteirão percorrido em Joanesburgo – foram quarenta e duas delas nos cinco dias e meio seguintes que passei por alí. Fiz uma seleção pra postar aqui.
[08/18/2012]
S de McEwan. Li três livros do Ian McEwan, nessa ordem: Solar, Serena, Sábado. Depois de não ter mais como prosseguir a Amazon me salvou: Sour Sweet.
[08/18/2012]
Tem um livro de contos do Machado de Assis onde ele começa dizendo que as estórias que estão ali não foram reunidas aleatoriamente, como pessoas num mesmo hotel. Ao invés disso, elas estão juntas como gente diferente de uma mesma familia reunida por um pai em comum. É por aí. Os posts desse blog não tem tema, mas, um pai em comum. bem vindo!












